segunda-feira, 27 de abril de 2009

100% Jovem - 2º capitulo

100% Jovem 2 capitulo Inserido Monday 27 April 2009 23:22
2

A Beatriz disse adeus aos filhos quando eles saíram para a escola. Não tinha sido fácil fazer a Sara e o Carlos Eduardo levantarem-se naquela manhã. Estava esgotada.
Encheu uma enorme chávena de chá (era totalmente contra o café!) e pôs-se a pensar nas coisas que tinha para fazer. Arrumar a casa, tratar da filha mais nova, arrumar novamente a casa, fazer o almoço, tornar a arrumar a casa... Enfim, todas as intermináveis tarefas que uma dona de casa enfrenta todos os dias. Contudo, Beatriz era feliz. Adorava a vida que tinha.
No andar de cima as coisas eram bem diferentes... A casa não estava arrumada nem tinha havido pequeno-almoço porque nesse dia a empregada chegava mais tarde.
A mãe da Cátia, a Sílvia, andava desesperada à procura de uns papéis que tinha que levar para o escritório. Nem se tinha lembrado que era nesse dia que começavam as aulas da sua única filha, muito menos se foi despedir dela quando a viu sair batendo a porta com toda a força.
A única coisa em que reparou de raspão foi na forma desleixada e cada vez mais estranha que a filha tinha de se vestir. Coisa em que se vinha a aprimorar nos últimos dezassete anos.
«Nunca deveria ter tido filhos...», pensou Sílvia levantando as almofadas do sofá em busca dos papéis desaparecidos.
Na verdade ela não planeara ter aquela filha, muito menos aquela vida, tinha tudo sido um acidente...
O marido dela andava mesmo chateado com ela, desde a última discussão que ela tinha tido com a Cátia. Oh, ela sabia que talvez não devesse ter sido tão bruta, ao dizer-lhe que era uma péssima filha e uma miúda detestável. Ela própria era uma péssima mãe, não o podia negar, e tinha um feitio horrível e muito pouca paciência para uma adolescente revoltada como a filha. E a verdade é que sabia que a Cátia também não gostava dela, ela fazia questão de lho lembrar no Dia da Mãe em que dava sempre uma prenda à vizinha de baixo e a ela não lhe dava nada.
«Talvez a vizinha de baixo quisesse adoptar a Cátia...», pensou ela esperançada. Não. O pai da Cátia provavelmente não ia deixar e a Beatriz Silva já tinha muito trabalho com os seus três barulhentos e horrorosos filhos, não sabia como é que ela ainda aguentava a filha dela e estava sempre com um sorriso e a fazer bolos... Não percebia como é que ela conseguia.
Nos arredores de Portalegre, a Vânia estava completamente irritada. Não sabia qual era a ideia da mãe ao decidir ir com ela no autocarro nesse dia, como se não bastasse ter que ir todos os dias com a sua irmã Filipa, que, para sorte dela, ainda só estava no décimo ano, e o horroroso do pirralho do seu irmão mais novo, o Celso, ainda tinha que levar com a mãe a cacarejar ao lado dela. Ao menos uma coisa de bom, o pai não ia... Isso seria o cúmulo, até já estava a ver o pai vestido com as suas roupas velhas e a cheirarem a estrume e com a boina na cabeça, ah, e com as botas de borracha todas sujas... Não, isso era demais para o seu amor- -próprio.
Quando o autocarro da Rodoviária parou deixou entrar as outras pessoas primeiro, incluindo a mãe e os irmãos, e só entrou no fim. Fazia questão de não se misturar com a gentinha.
Nem ligou à mãe que lhe tinha guardado um lugar e que ao vê-la dirigir-se para o fundo do autocarro ainda se atreveu a chamá-la.
-Quem é aquela? Parece que te chamou. -perguntou uma das amigas da Vânia.
-Oh! Ninguém... -disfarçou ela ignorando a mãe. -Deve ser uma das campónias que trabalha na nossa quinta. O povinho adora-me! O que é que eu posso fazer? Sou tão maravilhosa.
Resignada a mãe da Vânia virou-se para a frente ao ver que a filha não a tinha ouvido, só isso explicava não lhe ter respondido... Pelo menos era o que ela pensava.
-Então os teus pais vão à reunião de entrega das notas amanhã? -perguntou a outra rapariga à Vânia.
-Infelizmente não! -disse a Vânia ajeitando o cabelo. -Fomos passar as férias à Serra da Estrela e o papá e a mamã gostaram tanto que ficaram lá mais um mês, eu só voltei por causa das aulas. As minhas férias foram o máximo, fartei-me de esquiar, já te disse que sou uma excelente esquiadora, não é verdade?
A outra rapariga encolheu-se no banco. Achava a Vânia simpática, mas quando ela se começava a gabar...
Essa rapariga era a Catarina e sabia perfeitamente que a Vânia não era conhecida pela sua modéstia, mas apesar de tudo era amiga dela, afinal, ao contrário dela, a Vânia era realmente fixe e popular e, segundo o que a ouvia dizer, a família dela devia ter montes de dinheiro, até porque a Vânia andava sempre com roupas de marca e ela não...
Quando o autocarro entrou dentro da terminal da Rodoviária sentiu-se feliz, quando estava na escola e no bar com o namorado esquecia-se dos problemas e da sua família. O pai da Catarina estava sempre irritado desde que tinha sido despedido e ultimamente fartava-se de bater na mãe dela, às vezes só lhe apetecia gritar, mas tinha medo que sobrasse para ela. Quem lhe dera que a mãe fosse mais corajosa...
Ao que parece ninguém estava satisfeito com os pais que tinha. Bem, talvez nem toda a gente, a Sara e o Carlos Eduardo não se podiam queixar dos seus pais, muito menos a Rita, o Chico e o Ruca, afinal, esses não tinham pais para se queixarem deles...
Entretanto, a mãe da Cátia tinha encontrado os seus papéis e, depois de dar dois berros à empregada, foi finalmente trabalhar.
Ao mesmo tempo, a sua filha, juntamente com muitas outras pessoas que andavam naquela escola, tentava ver a pauta das notas, não tinha tido coragem de fazer isso durante as férias.
-Fixe! Consegui levantar a negativa a História de Arte! -exclamou ela para o Carlos Eduardo que era da mesma turma que ela, andavam os dois em Artes.
-Eh, eh... E eu bati o recorde, desta vez tive oito negas! -disse o Carlos Eduardo sorrindo.
-Tu és mesmo esquisito, sabias? -perguntou-lhe a Cátia enquanto tentavam sair do meio daquela gente toda.
-Oh! Boa, boa, boa! -exclamou a Sara toda contente.
-O quê? -perguntou a Cátia. -Não me digas que também não tiveste negas...
-Por acaso até tive duas, a Filosofia e a História, mas não estou contente por causa disso! Achas? A minha mãe mata-me! Ainda por cima as minhas outras notas são muito baixas... -disse a Sara. -Onde é que vais, Carlos?
-Tratar do meu testamento! -disse ele afastando-se. -É melhor fazer isso antes da mãe ver as notas.
-O quê? Ora, esquece! Não, o motivo de eu estar tão contente é outro! -exclamou ela com um enorme sorriso. -Imagina quem é que arranjou trabalho cá em Portalegre?
-Dah! -disse a Cátia fazendo uma careta. -A Andreia!
-Como é que sabes? -perguntou a Sara espantada.
-Tipo... Fui eu que te contei... Ontem. No bar... Estás a ver aquele sítio onde vamos todos os dias... Só para o caso de não te lembrares o que é! -disse a Cátia subindo as escadas. -Anda comigo comprar um chocolate.
-Ah... Pois foi, foste tu que me contaste! Tinha-me esquecido! -disse a Sara pensativa. -Oh, mas fico muito contente à mesma. Já não a via há montes de tempo.
-Pois... Desde o Sábado passado e em todos os outros fins-de-semana do ano... Sabes que mais? Devias começar a preocupar-te com a tua memória! -aconselhou-a a Cátia baixando- -se em frente à máquina para apanhar o chocolate. -Para bem de todos nós! Lembras-te daquela vez em que pensavas que fazias anos e ficaste chateada com toda a gente porque ninguém te deu os parabéns? Devias evitar cenas dessas! A sério...
-Ah... Também não falhei por muito. -disse a Sara encolhendo os ombros.
-Faltavam cinco meses, Sara. Cinco! -exclamou a Cátia mostrando-lhe os dedos da sua mão.

1 comentário:

Mna. Margarida disse...

Para que serve esta frase no inicio da frase? "100% Jovem 2 capitulo Inserido Monday 27 April 2009 23:22"?


Tadinha da Catia!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Sofre taaaaaaaaaaaaaantoooooooooooooo!!!