sexta-feira, 1 de maio de 2009

100% Jovem - 3º capitulo

3

A primeira semana do segundo período mostrou ser mais cheia de acidentes que aquilo que qualquer um deles podia ter pensado...
Depois da reunião de entrega das notas na terça-feira houve muitas casas onde existiram discussões. A da Cátia foi uma delas e foi uma das grandes, embora ela não percebesse porquê. Do género gritos e portas a bater, o tipo de discussão que só lhe dava vontade de desaparecer.
-Que raio é que se passa? -gritou ela quando a mãe atirou uma jarra de encontro à porta da cozinha.
-Pergunte ao seu pai, já que gosta tanto dele! -respondeu asperamente a mãe dela sentando-se no sofá, tinha o hábito de tratar a filha e o marido por você.
-Pai? -perguntou a Cátia, espreitando para dentro da cozinha. -O que é que se passa com vocês os dois?
-Pergunta à tua mãe! -resmungou o pai de mau humor.
Ela encolheu os ombros e voltou para o quarto, sabia que era melhor não se meter.
Pouco tempo depois, a discussão recomeçou outra vez.
-O que é que quer dizer com isso da culpa ser minha? -guinchou a mãe da Cátia. -Não tenho culpa da sua filha ser uma burra que só tem más notas. O que é que vou dizer às minhas amigas?
-As tuas amigas que se lixem! -gritou o pai. -Estou a falar da nossa filha! E as notas dela foram óptimas! Estás a ficar maluca, ou quê?
-Nunca devia ter casado consigo. Quem me dera que desaparecesse!
-PAREM! -gritou a Cátia voltando à sala.
-A culpa é toda sua! -disse-lhe a mãe. -Miúda estúpida!
Antes que a Cátia pudesse responder a campainha tocou e ela foi a correr abrir a porta, qualquer coisa que impedisse a mãe de a ver chorar.
Na soleira da porta estava a Andreia que tinha vindo ter com ela para irem ao Ratitos.
-Então? Já estás pronta? -perguntou ela.
-Não, não estou. -disse ela, acrescentando depois para os pais. -Vou sair e não se admirem se não voltar!
-Nem pense, a menina está de... -começou a mãe da Cátia sendo impedida de continuar pelo som da porta a bater com toda a força. -... castigo.
Como sempre a filha não a tinha ouvido... Já se devia ter habituado.
Tentou ficar acordada até ela chegar, queria mesmo continuar a discussão e dizer-lhe uma ou duas que ela andava a merecer ouvir desde pequena, mas acabou por adormecer e não a ouviu chegar. De manhã, quando acordou, ela também já não estava em casa, a Cátia tinha passado a noite em claro. Cada vez detestava mais a mãe, só queria saber o que é que tinha feito para ela nunca ter gostado dela.
Entretanto, nos arredores de Portalegre, a Vânia tentava digerir uma notícia que lhe pôs os cabelos em pé.
-Tu não podes estar grávida! -exclamou ela horrorizada.
-Sim, amor, a tua mãe está prenha! - exclamou o pai dela todo contente. -Foi ontem fazer uma... Como é que se chama? E...Eco...grafia... Ecografia! É isso!
-Prenha? A maneira como tu falas! Que horror! Um bébé... Vocês? Mas, ó mãe! Tu não podes! Que nojo, isso é nojento. Vocês já são velhos. Faz um aborto ou uma coisa do género.
-Levas uma chapada Vânia Daniela! Vê lá se os teus irmãos dizem coisas dessas! -disse o pai dela irritado.
-Oh, que horror... -continuou a Vânia desesperada sem ligar ao que eles diziam.-Se os meus amigos sabem! Ai! Vocês não gostam mesmo de mim...
-Mas, querida... -começou a mãe dela.
-Nem querida, nem meia querida! -gritou ela começando a soluçar. -Como é que foram capazes? Nem penses que eu aceito isso, vais ficar parecida com uma baleia inchada e toda a gente vai ver, porque é que eu tinha que ser vossa filha, porquê?
Não quis saber de mais nada. Agarrou na mochila e saiu de casa a correr até à paragem de autocarro apesar de ainda faltar meia hora para ele chegar. Sentou-se no banco da paragem e desatou a chorar. Minutos mais tarde chegou a sua irmã Filipa com o Celso pela mão. Sentou-se e não lhe disse nada.
-E tu? -perguntou a Vânia irritada. -Não reages? Não dizes nada?
-Ah... -fez a Filipa encolhendo os ombros.
Isso só fez a Vânia ficar mais irritada ainda. Porque é que ela tinha que ter nascido naquela família? Ainda bem que ninguém entrava na mesma paragem que ela. Ainda bem que não tinham vizinhos e ninguém sabia quem eram os pais dela. Não ia aguentar que soubessem como era a sua família...

3 comentários:

--Biscoitinha-- disse...

Ai que eu tenho tanto para ler!...

Mas tem de ser com calma! hihi

Mna. Margarida disse...

Miminho no meu blog pra ti, minha coisa boa!

Anne disse...

bem ainda me surpreendo em ver que ha pessoas que so pensam nas aparencias... mas nem devia ser surpresa da maneira que o mundo esta....